Apartamentos antigos, projetados por arquitetos consagrados, viram objeto de desejo para quem quer viver com estilo e espaço em São Paulo. Dois grandes exemplos são os edifícios Esther, na Praça da República e o Bretagne na Avenida Higienópolis. Inaugurado em 1938, o Esther foi o primeiro prédio de inspiração modernista do país. Projetado por Vital Brazil e Adhemar Marinho, o edifício de uso misto já serviu desde depósito para camelôs até morada para o pintor Di Cavalcante. Já o Bretagne tem uma história mais “holywoodiana”.  Projetado por Artacho Jurado, que nem arquiteto de formação era, e não podia assinar suas obras, teve o ator Americano Roy Rogers como convidado para sua inauguração.


O público desse tipo de apartamento, conhecido como vintage, geralmente tem uma visão de cultura diferenciada e mantêm uma relação emocional com a cidade. Um exemplo é o cozinheiro, padeiro e apresentador Olivier Anquier que se apaixonou pelo Esther e conseguiu comprar uma cobertura lá. Depois de inúmeras pesquisas sobre o edifício levou oito meses para reformar seu apartamento de acordo com as características originais. Hoje, essas duas “obras de arte” conseguiram, junto ao poder público, o processo de restauração de suas fachadas, mas ao contrário de outros países, onde existe um suporte para os edifícios tombados, o processo de tombamento e restauração no Brasil é lento e burocrático. Por isso os próprios moradores tomaram para si a responsabilidade de conservar e restaurar os edifícios onde moram. O próprio Anquier diz que quer ser o pivô de um movimento de revitalização do centro.