A crise existe, ninguém está a salvo e por isso é assunto em qualquer rede social. Até meu filho de 7 anos me abordou dizendo que a tia da escola tinha ficado um tempão falando da tal crise. Fantástico! 
Ele mesmo explicou que aquilo que a gente houve toda hora na TV não é um monstro, não vai acabar com o mundo e que de tempos em tempos isso acontece.
 Não nego que as palavras do meu filho, me animaram bem mais, que as dos cientistas econômicos mais preparados do mundo. Ele não embasou e nem defendeu sua tese, mas confesso que saindo da boca de uma criança, me confortou ouvir: vai passar!

 

No blog do Luis Nassif encontrei uma reportagem excelente que se encaixa bem no episódio que narrei. Segue o escopo. As quedas de outubro foram agravadas por fatores eminentemente psicológicos, muito mais em função do aumento da incerteza geral, do que (ainda) de fatos objetivos. Parte desse processo se deve a chamada escandalização da crise, promovido pela imprensa. Não se pode minimizar a crise, tem que se dar a ela o devido peso. A dramatização da crise aprofunda a própria crise. 

 

A avaliação é um dado subjetivo. Por exemplo, se um consumidor acha que a crise será muito brava e passa a temer por seu emprego, a tendência será reduzir suas compras. Reduzindo, derruba a produção e leva o empresário a demitir. Do mesmo modo, se o empresário julga que a crise será maior, deixará de investir, dará férias coletivas e demitirá. Se o banco acha que a crise será grande, tratará de reduzir seus empréstimos. Esses movimentos não se dão em cima de dados objetivos, mas da percepção sobre o que poderá ser a crise. É aí que o papel da mídia passa a ditar as regras do jogo e poderá se constituir em um "tiro no pé".

 

Obviamente não se trata se sonegar informações, mas de saber como tratar as notícias em ambientes nervosos. Dia desses, um jornal anunciou “fuga de dólares”, pelo fato do fluxo ter ficado negativo em US$ 850 milhões – valor ínfimo, para caracterizar uma “fuga”. Uma previsão de 3% de crescimento do PIB – média superior à da década – é tratada como se fosse recessão profunda. Fatos positivos são escondidos no pé de página. Nosso desafio, nos próximos meses, será mostrar o tamanho da crise sem enveredar pelo pessimismo estéril.  Luis Nassif.